Viajar de bike pelo Japão – Bike Myself

Por Pedro Vianna – BikeMyself

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Viver a experiência de viajar pelo mundo é a mistura de alegria, medo, frustração e sentimento de realização. Foi isso que me motivou a criar o Bike Myself um projeto de viagens de bicicleta pelo mundo. Vou contar um pouco da minha aventura pelo Japão em 2016.

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Antes de falar da viagem, tenho que voltar alguns anos… Em de 2009, fiz amizade com alguns japoneses, e com eles pude aprender um pouco de sua cultura e costumes. Desde então, passei a ter muita vontade de visitar o Japão para conhecer mais do povo e dos lugares que esses meus amigos haviam me falado. Anos depois já com a paixão por viajar de bicicleta enraizada decidi que faria minha próxima expedição na terra do sol nascente e que rodaria por 3 meses, tempo máximo do visto de turista.

Eu só tinha 2000 dólares para fazer a viagem, uma média de $23 por dia e mesmo sendo pouco dinheiro para uma viagem pelo Japão parti rumo a mais uma realização de sonho e cheguei em Tokyo sem falar absolutamente nada de japonês. Quando viajo de bicicleta me sinto “esmagado” com uma bicicleta em megacidades. E não era só uma cidade grande qualquer, era Tokyo. Depois de uns dias ali, esperava encontrar uma cidade super equipada com ciclovias e ciclofaixas, mas percebi que a bicicleta é tão respeitada e comum ali, que bastava a educação das pessoas para as coisas funcionarem. A bicicleta não era supervalorizada e sim muito respeitada, não existiam muitos ciclistas, mas existiam muitas, muitas pessoas que usavam a bicicleta como meio de transporte.

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Eu tinha preparado um super roteiro, visitando muito lugares, mas ficando pouquíssimo tempo neles. Depois de conhecer Tokyo por uns dias comecei minha pedalada. Logo no início da viagem, um acontecimento mudou o rumo da expedição, e nunca mais vou me esquecer dele. Estava na estrada em um dia que me estressei muito com sinais vermelhos que me atrasaram, quando parei em um cruzamento olhei para o lado, e vi um senhorzinho japonês empurrando uma bicicleta em uma ladeira caminhando lentamente, passo após passo. Aquele foi o primeiro aprendizado da minha viagem: eu precisava me estressar menos e aproveitar mais o caminho, lembrando sempre de uma coisa que havia aprendido com outro cicloturista “a direção é mais importante que a velocidade”. Depois de ter alcançado meu destino, naquela noite parei, refiz meu roteiro e decidi não ter pressa e aproveitar cada cidade e cada momento da viagem.

O Japão é um país caro, e como eu falei tinha pouco dinheiro, a viagem só se tornou possível pelas formas que eu me hospedei. Usei redes como couchsurfing e warmshowers, uma espécie de redes sociais de hospedagem grátis em viagens. Também contei com a ajuda de brasileiros que moram no Japão, que após conhecerem meu projeto me acolheram em suas casas. Além de economizar, isso me deu a possibilidade de ver a vida desses imigrantes. Isso sem contar com a barraca, que ajuda muito nos dias sem lugar para dormir.

Foram poucas as vezes que dormi em hostel ou hotel cápsula. Eu acredito que a aventura não começa até alguma coisa dar errado e é sempre bom rir depois de alguns perrengues. Me lembro de quando dormi acampado e de repente a noite começou a chover muito. Minhas coisas ficaram totalmente molhadas e só tinha eu no camping, parecia aqueles animes de terror japonês. Aquela noite foi fria, longa e bem difícil.

Outro perrengue foi quando ia pegar um voo para uma ilha chamada Okinawa e tive a brilhante ideia de dormir no aeroporto. Chegando lá, já com a bike desmontada, descobri que o aeroporto ia fechar em 40 minutos. Experimentei como é ser um mendigo estando no Japão, com direito a abordagem de policias perguntando o por que de eu estar dormindo na rua. Engraçado agora, mas tenso na hora.

Passei por diversas cidades, Tokyo, Yokohama, Kamakura, Osaka, Kyoto, Nagoya, Hamamatsu, Nara, Okayama, Miyajima, Hiroshima, Onomichi, Fukuoka e Okinawa. Todos os lugares são especiais a sua maneira e geram recordações incríveis, mas o que tirei de maior valor desses três meses no Japão, eu compartilhei em forma de vídeo, com mais 16 episódios da saga, tudo no YouTube .

Levo como maior aprendizado a receptividade dos japoneses, que vai muito além de ser simpático. É querer te ajudar, mesmo sem entender o que você está falando. Eles tem uma palavra pra essa hospitalidade, omotenashi . Porém, percebi que isso é uma coisa com o turista, pois senti que eles eram muito fechados entre si. Uma nova amizade, daquelas que se tornam um vínculo forte e verdadeiro entre duas pessoas, é uma coisa bem difícil de acontecer.

Acho que todos deveriam ter em alguma viagem, o choque cultural que tive no Japão. Faz a gente aprender a respeitar as crenças do outro ou o que ele defende.

Hoje em dia, sinto que falta muito às pessoas a tolerância, aceitar argumentos e ideias diferentes das nossas sem atacar só porque não é o que acreditamos. Essas viagens, além de tudo, servem muito de aprendizado e crescimento para mim. E um aprendizado que quero passar adiante.

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Pedro Vianna é o fundador do Bike Myself, que são viagens de bicicleta pelo mundo em busca de impacto sustentável. Além de mostrar as suas viagens com a bike, ele também mostra projetos pelo mundo ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Você já fez cicloturismo com a sua bike? Conta pra gente como foi!
Queremos saber mais um pouco da sua #VidaComBike!

Tudo o que você precisa para a sua companheira de pedal está aqui na Azupa!

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